Estou há uma hora neste lugar,onde o tempo
arrasta-se tão
devagar que parece que aqui estou há uma eternidade,nada acontece,já tenho
percorrido esses campos cobertos de flores
adocicadas,arranhando-me
nos espinhos e cansado dos meus esforços apenas vejo,flores coloridas.Entediado indago a quanto tempo aqui devo ficar,ate
morrer de ócio? Ou intoxicado pelo pólen?
Escuto o eco de minha desesperada voz e em resposta o sibilar do vento ,
desejaria neste momento estar cantando uma canção acompanhada por um
instrumento.que lição é esta que me oferece? Não sou jardineiro sou poeta
,não vejo apenas uma paisagem bucólica mas cores difusas,confusas que
transformam em lúdica.O sol brilha amarelo a pino,presumo que meio-dia seja
,temo que antes que o crepúsculo aconteça e revele minha geográfica posição eu
caia estirado no chão e essas flores coniventes me servirem de coroa fúnebre
para amenizar a dor de quem me ver neste estado mórbido.
Posso mergulhar em três mares ,no mar celestial azul-claro do qual mergulho
sem me molhar,no mar de perguntas sem respostas e no mar de cheiros
inebriantes das flores que me remete a lembranças e lugares que já estive,é
paradoxo,estar num campo primaveril e outros lugares ao mesmo tempo
O silencio acaba-se por ser uma própria musica, contradiz o que muitos
defendem com unhas e dentes ,que apenas o que vibra harmonioso seja
som,necessariamente as coisas não precisam vibrar,precisam estarem vivas para
que isso aconteça.
Qual o significado das flores? Parece que estou livre ao mesmo tempo
preso,sitiado encarcerado numa prisão sem muralhas,assim como o pensamento
livre porem preso dentro de uma caixa craniana.O que é preciso para estar
livre? As flores, por exemplo, para estarem livre precisam estarem presas ao
chão do qual é sustentado,por sua vez para estarem presas precisam da
liberdade para espalhar ao vento suas sementes e outras mudas tornarem-se. Insisto em percorrer todo o campo florido,alérgico,minha pele avermelhas-se e grandes
manchas ,seriam essas flores venenosas? Ou inócuas? Irado vou arrancando e
derrubando o que vejo pela frente e persebo que em baixo delas muitas não
vingaram , mas serviram de adubo para que outras nasçam.Assim como as
flores,alguma coisa em mim precise morrer para que outras nasçam mais
fortificadas .
Os opostos se sobrepõem de modo que um sempre serve de plano de
fundo para o outro,onde o real o surreal nascem no mesmo lugar.

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