Aquela foi à carta mais perfumada que já recebi,
De um cheiro tão doce e típico seu que impregnava
todo ao redor,
De uma textura tão maleável,
Contidas de um texto tão profundo quanto a
Iris dos teus olhos.
Uma carta que não poderia ser aberta de
qualquer maneira.
Requereria certo requinte.
Como uma noite ao luar, uma dose de café preto
e quente, numa frieza noite.
Falavam de amor,
De uma maneira tão singela que ao lê-la, preguiçosamente
me arrastei por todas as palavras querendo sentir nas pontas dos dedos as
marcas feitas com a pressão da caneta sobre o papel.
E ao mesmo tempo a sonorização de junção
de cada palavra com a outra.
Retratara-me como a luz, uma luz tão
intensa.
Senti-me um
privilegiado por ter-me sido a inspiração da qual aquele poema escrevestes.
Agora me
sinto inebriado ao termina-lo de ler, de uma sensibilidade que parece me devorar,
de um gosto nostálgico que degusto silenciosamente em meus pensamentos, deixando-me
tocar os lábios parado no tempo.

